sábado, 13 de novembro de 2010

Correio do Minho: ‘Raíz de Ouro’ fixa jovens

Autor:Teresa M. Costa 2009-11-23

Depois de um percurso académico que as formou como professoras, as irmãs Catarina e Sónia Martins, da Póvoa de Lanhoso, regressaram às suas raízes e dedicam-se à produção de compotas biológicas.
Mas o que começa a ser um 'doce negócio', já teve que ultrapassar dificuldades várias. As duas irmãs dão aulas, ao mesmo tempo, que produzem os frutos que depois transformam em compotas de vários sabores.

Catarina, de 27 anos, e Sónia, de 25, já costumavam fazer compotas com a mãe, mas o desemprego como professora levou a irmã mais velha a aperfeiçoar a técnica num curso de compotas e licores.
Isto foi há cerca de três anos e o sucesso das compotas, junto de amigos e familiares pelo Natal, 'abriu o apetite' para um negócio que hoje junta as duas irmãs.

Actualmente a leccionar, Catarina e Sónia ocupam os fins-de-semana e feriados na 'Raíz de ouro', marca adoptada para rotular as compotas.
'Ouro', porque as irmãs querem uma marca que as ligue à Póvoa de Lanhoso e escolheram como logotipo um coração de filigrana.

'Raiz' porque é um regresso às raízes, através da agricultura e do modo de fazer tradicional.
'Este projecto surge também da vontade de nos fixarmos no concelho' explica Catarina Martins.
Ao início, os pais demarcaram-se. Viram as filhas investir todas as suas poupanças na agricultura, que para eles sempre foi de subsistência, e afastarem-se de um percurso académico de que se orgulhavam.

Mas Catarina e Sónia não queriam apenas confeccionar compotas. O objectivo é também produzir a matéria-prima, neste caso, as frutas.
Cultivam uma quinta que estava abandonada, na freguesia de Fontarcada, e que integrava a bolsa de terras criada com o projecto da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso - Biológic@ - destinado a incentivar o desenvolvimento sustentável, através da agricultura biológica.

Quinta estava abandonada

Há mais de um ano que procuravam um terreno quando a solução surgiu pela mão da autarquia povoense.
Sónia Martins também já tinha despertado para o biológico, precisamente numa acção de formação, daí a opção por este modo de produção.

Na quinta de dois hectares, localizada em Cimães, estão a reabilitar um pomar de macieiras e plantaram já mil metros quadrados de framboesas, talhão que pretendem duplicar no próximo ano.
O objectivo é produzirem o máximo de produtos que conseguirem e vender o excedente.
O que não conseguirem produzir, tencionam absorver da produção local, de preferência do concelho.

Novo uso para cozinha da Escola de Vilela
O apoio da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso estendeu-se ao espaço necessário para a transformação. Um protocolo permitiu a cedência da cozinha da Escola Básica do 1.º ciclo de Vilela - que estava desactivada. É de lá que saem as compotas 'Raíz de ouro'.
Mas antes foi preciso esperar pelo certificado HACCP e pela certificação biológica.
Em troca, as duas jovens disponibilizam-se a colaborar com a autarquia.

Já na próxima sexta-feira, e no âmbito da 'Semana Bio', vão ajudar os alunos a confeccionar compotas com ingredientes biológicos.
Este ano lectivo, Catarina e Sónia conseguiram colocações como professoras, em Vila Verde e em Vizela, respectivamente, mas continuam empenhadas no seu projecto. Durante a semana, dão aulas e, ao fim-de-semana, dedicam-se às compotas. A pausa lectiva do Natal já está reservada para a poda.

Uma porta aberta ao bio-agricultor

O empreendedorismo de Catarina e Sónia Martins é um exem-plo a seguir por outros jovens do concelho aponta a vereadora do Turismo e Acção Social da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Fátima Moreira.
A responsável municipal justifica o apoio ao projecto ‘Raíz de ouro’ com o “perfil de empreendedoras” revelado pelas duas irmãs.
Por outro lado, Catarina e Sónia “queriam abraçar uma área que tentamos sempre apoiar” acrescenta Fátima Moreira.

Além do projecto Biologic@ e da dinamização da bolsa de terras, a autarquia povoense dá apoio técnico ao bio-agricultor, descreve a vereadora.
Neste contexto, o negócio de compotas é “um resultado positivo” do investimento da autarquia na agricultura biológica.
Fátima Moreira assume que “foi preciso dar um empurrão” na certificação da cozinha, mas isso também foi conseguido.

Em troca da cedência do espaço, Catarina e Sónia Martins oferecem algumas contrapartidas que passam pelo fornecimento de produtos para o cabaz de Natal que a autarquia costuma oferecer e para os cabazes com que a Loja Social apoia as famílias carenciadas do concelho, explica a responsável pelo pelouro da Acção Social.

O município está “sempre de portas abertas” para apoiar este tipo de projectos, garante Fátima Moreira que espera que o exemplo das duas irmãs “sirva de incentivo a outros jovens do concelho menos ambiciosos”. “É preciso ser audaz e encontrar os apoios certos, mesmo quando algumas portas se fecham” sublinha aquela responsável.
De resto, Fátima Moreira acredita a ‘Raíz de ouro’ tem os imgredientes do sucesso, já que se trata de “produtos de alta qualidade” e que “têm tido boa aceitação”.

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